Capítulo 5, página 10 — Arena Combat Fight: O Esquenta da Tempestade
- Bodokan

- 28 de out. de 2025
- 3 min de leitura

No dia 10 de maio, o dojô da Bodokan trocou o silêncio de treino pela vibração de combate. Era a 2ª Edição da Arena Combat Fight - ACF, o campeonato interno mais esperado por quem vive o tatame com alma. Não foi só um evento preparatório para o estadual em Recife. Foi um capítulo à parte com reencontros, estreias, provocações e quedas que arrancaram suspiros da plateia.
E quem abriu a noite? Os Miguéis. Miguel César e Miguel Silva se enfrentaram numa trilogia eletrizante. César venceu a primeira, Silva respondeu com um contra-golpe belíssimo na segunda. A terceira foi guerra mental e técnica: o nosso esqueletinho voador cravou a mira, acelerou o ritmo e venceu com superioridade. Começo digno de um capítulo épico.
Logo depois, um episódio digno de filme de guerra silenciosa. De um lado, Evelyn, que poucas horas antes da luta, torceu o pé. Mas no shiaijô? Pisava firme, pulava discretamente, fingia que nada havia acontecido. Era a guerra fria do judô: enganar o adversário com coragem e um sorriso no rosto. E mesmo afastada dos treinos, mostrou que fibra não enferruja... Do outro lado do tatame, Fernanda, ela que encontrava nesta batalha uma breve despedida dos tatames de competição de Bodocó, e que estava em grande forma, e acabou vencendo por 2x0. Mas quem viu, sabe: Evelyn lutou com o corpo e com a mente e ganhou o respeito de todos e Fernanda, deixou ali sua marca, pra que todos saibam que quando ela voltar, tem mais.
Rayalla, a tempestade silenciosa mais barulhenta do dojô, encarou ninguém menos que Sensei Aryanny. Mesmo com a diferença técnica evidente, Rayalla foi lá, encarou com dignidade e entregou duas lutas firmes. Aryanny venceu, claro. Mas Rayalla mostrou que a distância entre o hoje e o topo está encurtando.
Na luta entre JJ e Laísa, duas estreantes fizeram o tatame tremer. JJ venceu a primeira. Laísa voltou com garra e virou o jogo na segunda. A terceira foi uma batalha longa, cheia de tentativas e defesas. JJ saiu com o braço erguido, mas Laísa saiu como revelação. Ambas, gigantes.
Evilly, campeã municipal, teve pela frente Jhuli, em sua primeira competição. Jhuli não se intimidou. Estava com o treino em dia e a cabeça no lugar. Aplicou as quedas com segurança e venceu por 2x0, mostrando que quem se prepara, prevalece.
O combate entre Tiago e Kauã foi força pura. Tiago lutou bem, mas Kauã estava com a alma em chamas. Mesmo preocupado com a notícia de que sua esposa estava a caminho do hospital com um possível parto adiantado, ele entrou no tatame e venceu com autoridade. Foi mais que luta, foi superação mental. E o parto? Por hora, apenas um susto!
Ayslan, em sua estreia no judô, enfrentou o experiente Júnior, vindo de Ipubi. Ayslan lutou bem, mas Júnior mostrou que sua vivência no jiu-jitsu e seu recente mergulho no judô não estavam ali à toa. Venceu por 2x0, com técnica e tranquilidade. Ambos estão começando a trilhar esse novo caminho, e mais resultados estão pela frente.
Eis que chega um dos combates mais emocionantes da noite, Ruan, nosso samurai negro, subiu ao tatame mesmo doente. Fraco, com apoio médico por perto, poderia ter desistido, mas não recuou. Enfrentou Kaue, de Ipubi, que fazia sua estreia no judô. E que estreia! Mostrou técnica, tranquilidade e respeito. Venceu, mas não com facilidade. Foi uma luta com cara de superação dos dois lados: um pela resistência, o outro pela entrega de quem está apenas começando e tem tudo pra ir longe.
Na sequência, Addson voltou aos tatames após mais de dois anos fora. Enfrentou Pedro Rick, que teve trabalho. As lutas foram pegadas, cheias de entrega. Addson deixou suor, sangue e respeito no tatame. Não sabemos quando ele volta pra valer, mas naquela noite, deixou claro que espírito de guerreiro não se apaga.
E quando José Pedro pisou no tatame, o dojô ficou em silêncio. Parado há anos, acima do peso, mas com a técnica intacta, enfrentou o fortíssimo Pedro Anderson, em ritmo total de treino. Bastaram duas lutas. Dois ippons. Dois lembretes de que lenda não se aposenta apenas espera o momento certo pra lembrar quem é.
A Arena Combat Fight – 2ª Edição, foi mais que um evento. Foi memória sendo escrita. Ali, naquele chão sagrado, estreantes, veteranos, lesionados e campeões se encontraram como iguais: como judocas. E quando o treino vira batalha e o sorriso vem mesmo depois da queda, é porque o caminho está certo.
O próximo ACF? Ainda não sabemos a data. Mas o próximo capítulo? Esse já começou a ser escrito.

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